IOF nos Investimentos: Guia Completo e Tabela Regressiva 2027
Entenda o que é IOF nos investimentos, como funciona a cobrança regressiva, exemplos em reais e o que muda no planejamento para 2027.
Você resgatou um CDB depois de 20 dias e recebeu menos do que esperava? A culpa pode não ser do banco, mas do IOF. Esse imposto silencioso morde o rendimento de quem investe pensando no curtíssimo prazo, e muita gente só descobre que ele existe quando o extrato chega. Em 2026, com a Selic ainda em patamar atrativo e o fim de ano se aproximando, a pergunta que mais aparece é: vale a pena resgatar agora ou esperar 2027? A resposta passa direto pela tabela regressiva do IOF. Vamos direto ao ponto: entender esse tributo é o que separa o investidor que planeja do investidor que perde dinheiro sem perceber. Neste guia, mostramos o que é o IOF, como ele é calculado, exemplos com valores reais e como usar a tabela regressiva a seu favor no planejamento para 2027.
O que é o IOF nos investimentos?
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo federal cobrado sobre diversas operações de crédito, câmbio, seguros e valores mobiliários. No universo dos investimentos de renda fixa, ele aparece principalmente como um desincentivo ao resgate precoce: quanto mais cedo você tira o dinheiro, maior a alíquota. A lógica é simples — o governo quer estimular a poupança de médio e longo prazo.
A base legal está no Decreto nº 6.306/2007, que regulamenta o IOF, e nas regras da Receita Federal sobre renda fixa. O imposto incide sobre o rendimento (não sobre o principal) e é recolhido na fonte pela instituição financeira. Ou seja: você não paga boleto nem precisa declarar separadamente — ele já vem descontado.
Onde o IOF aparece nos investimentos
- CDB, RDB e LC: cobrado em resgates antes de 30 dias.
- Tesouro Direto: incide sobre títulos com resgate antecipado em menos de 30 dias.
- Fundos de investimento: pode incidir em resgates de curto prazo, dependendo do regulamento.
- Poupança: isenta de IOF.
- LCI e LCA: isentas de IOF para pessoa física.
- Debêntures incentivadas: isentas.
Olha só o detalhe importante: o IOF só morde quem resgata antes de completar 30 dias corridos da aplicação. A partir do 30º dia, ele zera. É por isso que ele é confundido com a tabela regressiva de IR — mas são tributos diferentes.
Como funciona a tabela regressiva do IOF
A alíquota do IOF é regressiva e decrescente dia a dia. No primeiro dia, é de 96% sobre o rendimento; no 29º dia, cai para 3%; no 30º, 0%. Veja a tabela oficial:
| Dias corridos | Alíquota do IOF |
|---|---|
| 1 | 96% |
| 2 | 93% |
| 3 | 90% |
| 4 | 86% |
| 5 | 83% |
| 6 | 80% |
| 7 | 76% |
| 8 | 73% |
| 9 | 70% |
| 10 | 66% |
| 11 | 63% |
| 12 | 60% |
| 13 | 56% |
| 14 | 53% |
| 15 | 50% |
| 16 | 46% |
| 17 | 43% |
| 18 | 40% |
| 19 | 36% |
| 20 | 33% |
| 21 | 30% |
| 22 | 26% |
| 23 | 23% |
| 24 | 20% |
| 25 | 16% |
| 26 | 13% |
| 27 | 10% |
| 28 | 6% |
| 29 | 3% |
| 30 ou mais | 0% |
Dica de ouro: se você precisa do dinheiro em menos de 30 dias, prefira poupança, LCI/LCA ou conta remunerada — todas isentas de IOF.
Exemplo prático em reais
Suponha que você aplicou R$ 10.000 em um CDB que rende 100% do CDI. Em 10 dias, o rendimento bruto foi de R$ 30. Se resgatar nesse momento, a alíquota do IOF é de 66% sobre o rendimento:
- IOF = 66% × R$ 30 = R$ 19,80
- Rendimento líquido antes do IR = R$ 10,20
- IR (22,5% na faixa de até 180 dias) = R$ 2,29
- Valor líquido recebido: R$ 10.000 + R$ 7,91 = R$ 10.007,91
Agora, se esperar até o 30º dia, o IOF zera e o rendimento de R$ 90 (supondo mesmo CDI) fica sujeito apenas ao IR. A diferença é enorme: paciência de 20 dias pode valer mais que a rentabilidade de um mês inteiro.
IOF x IR: não confunda
Muita gente mistura os dois. A verdade é que são tributos distintos:
- IOF: só nos primeiros 30 dias, regressivo diário, incide sobre o rendimento.
- IR (Imposto de Renda): tabela regressiva de 22,5% a 15%, cobrado no resgate, incide sobre o rendimento.
A tabela regressiva do IR começa em 22,5% (até 180 dias), cai para 20% (181 a 360 dias), 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (acima de 720 dias). Ou seja: enquanto o IOF some em 30 dias, o IR continua por anos.
O que muda no planejamento para 2027?
O fim de 2026 é o momento ideal para revisar a carteira. Com a Selic em patamar elevado, muitos investidores migraram para CDBs de liquidez diária e Tesouro Selic. O problema é que esses produtos, apesar de práticos, cobram IOF em resgates de curtíssimo prazo.
Se você está planejando resgatar recursos no início de 2027, considere:
- Evite resgatar nos primeiros 29 dias de qualquer aplicação em renda fixa tributada.
- Programe o caixa de dezembro com antecedência: se precisar de dinheiro em janeiro, aplique em novembro ou use LCI/LCA.
- Reveja a reserva de emergência: se ela está em CDB de liquidez diária, o resgate imediato pode gerar IOF. Considere dividir entre Tesouro Selic (com 30 dias completos) e poupança.
- Atenção ao 13º e bônus: se você recebeu um valor extra e vai investir, planeje o prazo mínimo de 30 dias antes do resgate.
O planejamento tributário não é sobre pagar menos imposto ilegalmente, mas sobre escolher o veículo certo para o prazo certo.
Passo a passo para não perder dinheiro com IOF
- Identifique o prazo real que você pode deixar o dinheiro investido.
- Se for menos de 30 dias, escolha produtos isentos: poupança, LCI, LCA, conta remunerada ou fundo DI com isenção (raro).
- Se for entre 30 dias e 6 meses, prefira CDB ou Tesouro Selic — o IOF já zerou, e o IR ainda é alto, mas inevitável.
- Se for acima de 2 anos, a tabela regressiva do IR premia: 15% é o mínimo.
- Simule o resgate no app do banco ou na plataforma antes de confirmar — muitos já mostram o IOF descontado.
Riscos e cuidados
O IOF não é o único vilão do curto prazo. A soma de IOF + IR + taxa de administração pode zerar o rendimento. Em fundos DI com taxa de 0,5% ao ano, por exemplo, um resgate em 15 dias pode resultar em rendimento líquido negativo em relação à poupança. Fique atento também a produtos com liquidez diária que prometem isenção de IOF — leia o regulamento, pois a isenção costuma valer só após 30 dias.
Conclusão
O IOF é aquele imposto que parece pequeno, mas que pode corroer boa parte do seu rendimento se você resgatar antes de 30 dias. A regra é simples: paciência de um mês vale mais que qualquer taxa extra. Para 2027, o recado é claro: planeje o caixa, evite resgates de curtíssimo prazo em produtos tributados e use a tabela regressiva a seu favor. Quem entende o calendário do IOF e do IR investe com mais consciência e menos surpresa no extrato. Agora que você domina o assunto, revise sua carteira e ajuste os prazos — seu bolso agradece.